Daquiaté você.
role devagarTudo começou numa caminhada com a Nina, numa noite qualquer de outubro. A noite foi passando sem a gente perceber, e quando eu vi já eram quatro da manhã e eu estava te beijando pela primeira vez.

Eu não fazia ideia, naquela hora, de que estava começando a coisa mais importante da minha vida.
Quase ninguém apostaria na gente. Você tinha fechado o coração havia anos, a gente se escondia do mundo, e eu tinha data marcada pra ir embora. Eu mesmo cheguei a achar que aquilo teria um fim. Dois anos depois, eu sou grato por ter estado tão errado.

No começo eu tinha medo de dar nome ao que a gente tinha. Mas quando eu finalmente entendi, fiz questão de perguntar do jeito certo: balões, velas, pétalas pelo chão e o coração na mão.


De todas as respostas que eu já ouvi na vida, essa foi a melhor.
De lá pra cá, a gente construiu muita coisa. Treinou lado a lado, estudou junto por chamada, competiu no Dia dos Namorados com camiseta de Banguela e Fúria da Luz. Você virou parte da minha família, e foi com você que eu aprendi o que é ter alguém do lado de verdade.


E tinha a roça. Os fins de semana em que a gente ia pra lá, só nós dois, longe de tudo e de todo mundo. Sem pressa, sem horário, só a gente. Até hoje, quando eu penso em paz, é lá que eu penso, e é com você.
Eu tinha desistido do amor. Foi você quem me fez mudar de ideia, e isso eu levo comigo pra sempre.
Aí chegou a data marcada. Na manhã em que eu fui pra BH, antes de sair, eu te escrevi o que estava sentindo, e você respondeu do jeito que só você responde.
Era pra ser o fim. Virou o começo da parte mais difícil, e também da mais bonita. Um mês depois, foi você que encarou as dezessete horas de ônibus pra passar o feriado comigo. E a despedida na rodoviária virou cena de filme.


Depois daquela, vieram muitas outras rodoviárias. Em todas, eu só pensava na próxima vez.

Eu sei que esse momento não está sendo fácil, e sei que ele tem pesado mais pra você do que pra mim. Você teve paciência comigo por muito tempo e me disse, com todas as letras, o que te machucava. Eu ouvi cada palavra. Por isso não quero que esta carta seja mais uma explicação.
Em dois anos, muita coisa mudou de lugar. A cidade, a casa, a rotina, a distância entre nós dois. O que eu sinto por você continuou exatamente onde sempre esteve.

Mais de um ano depois daquela primeira trilha, lá em cima de novo, eu continuava olhando pra você do mesmo jeito. Continuo.
E em agosto, no meio de um dos momentos mais difíceis, foi você quem me mandou isso:
Como não te amar, se já nos vimos dormindo, desarrumados, chorando, falando dos nossos pais, dos nossos medos, dos nossos planos juntos, rindo até doer a barriga, estressados, irritados, felizes, apaixonados, cansados... e apesar de tudo continuamos nos escolhendo um ao outro dia...
11 de agosto de 2026
Quando eu olho pra tudo isso, eu vejo uma história que ninguém escreveria igual. Duas pessoas que se conheceram treinando, que se esconderam do mundo, que passavam os fins de semana na roça, que aprenderam a se amar com dezessete horas de estrada no meio, que já tiveram um quarto dos sonhos e mais despedidas em rodoviária do que deviam.
E quando eu penso no futuro, eu não consigo imaginar ele sem você. Penso na gente num lugar só nosso, no café pronto de manhã, nos planos que fomos guardando pra depois. Eu já sei como é bom ter você em casa, e é isso que eu quero pra minha vida.

Teve até o dia em que a aliança do meu irmão foi parar no meu dedo, do lado da nossa, e virou resenha na hora.
Era brincadeira. O compromisso, não. Não quero te fazer promessas bonitas. Quero que você veja, um dia de cada vez, que esse futuro é real pra mim.

Feliz 2 anos, meu neném.
Dois anos atrás, às quatro da manhã, eu não sabia o que estava começando. Hoje eu sei. Foi a melhor coisa que já me aconteceu, e eu faria tudo de novo, cada quilômetro, cada despedida, cada volta, sem pensar duas vezes.
Obrigado por ter apostado na gente quando quase ninguém apostaria. Obrigado por ter aberto de novo um coração que estava fechado, e por ter aberto o meu junto.
Não precisa me responder agora. Eu só queria que você soubesse.
João